Editorial para 2021

Refletimos sobre o ano que passou, olhamos para este e trazemos novidades.

Por Rute Correia|@RuteRadio|

Nascer em 2020 chegou com uma dose acrescida de desafios. Viver durante a pandemia obrigou-nos a adaptações diárias muito além da aprendizagem contínua que a fundação de um projeto deste tipo exige. A chegada da vacina promete esperanças para o regresso da cultura ao que era antes, mas já poucos se atrevem a avançar as certezas de meses anteriores. No Interruptor redesenhámos planos constantemente. Foram várias as histórias preparadas que acabaram postas de lado, outras ficaram guardadas para um depois indefinido e algumas das que chegaram a ser publicadas viram a sua versão final profundamente alterada face ao previsto, devido às limitações que se atravessaram à nossa frente.

Encontrar o equilíbrio entre os ritmos de publicação de artigos escritos e de podcasts nem sempre foi fácil. Melhorar esta dinâmica é uma das nossas prioridades para 2021. Uma das apostas em relação aos podcasts é produzir mais séries. A primeira delas chegará já no próximo dia 27: Tiras é um guia de iniciação à banda desenhada lançado em vários capítulos semanais. Também este mês encerraremos a série Estamos a ouvir mais música portuguesa? com uma análise da evolução da edição discográfica em Portugal nos últimos 40 anos, a publicar em meados de janeiro. Será o nosso primeiro trabalho de dados do ano. Em 2021 esperamos publicar pelo menos um destes por mês, indo de encontro aos nossos objetivos iniciais. No sentido de mantermos uma certa regularidade, tentaremos sempre que possível publicar à quarta-feira.

Também tencionamos continuar a melhorar o nosso site e a maneira como distribuímos conteúdo. Em apenas quatro meses inovámos com a criação de uma marca de leitura, permitindo um regresso facilitado aos nossos artigos longos, implementámos um modo escuro e assegurámos opções que respeitam a privacidade dos nossos leitores - sem paywalls, sem cookies de rastreamento nem publicidade invasiva, sem vínculos obrigatórios a plataformas externas. Hoje renovamos o compromisso de disponibilizar todo o nosso conteúdo em acesso aberto, bem como o código desenvolvido para a sua produção.

Desde setembro, publicámos cerca de 20 mil palavras e quase 200 minutos de áudio. Investigámos o alcance da cultura em Portugal, explorámos o papel das cidades na sua edificação, analisámos o consumo de música portuguesa, utilizámos aprendizagem automatizada para a diferenciação de textos literários, promovemos e organizámos a criação de um mapa comunitário com os diversos equipamentos culturais em Portugal, identificámos os problemas de uma cultura partilhada que não se pode partilhar, realçámos a importância de arquivar a web e examinámos a utilização da linguagem misógina no rap nacional. O rap é misógino? foi de longe o nosso artigo mais lido e partilhado, garantindo cerca de metade dos visitantes únicos e das visualizações totais do Interruptor até hoje. Para lá dos números, orgulha-nos saber que provocámos alguma discussão sobre um tema urgente, até aqui varrido tantas vezes para debaixo do tapete.

Em 2021, a nossa meta maior é a sustentabilidade financeira. Neste momento, as receitas anuais do Interruptor estão abaixo do necessário a título mensal. Com assinaturas recorrentes a partir de €2 por mês e donativos pontuais a partir de €5, temos opções para todos os tipos de bolsos porque sabemos que o apoio dos nossos leitores é a melhor garantia para o futuro. Estamos verdadeiramente gratos pelo voto de confiança que os nossos primeiros assinantes depositaram em nós e daremos o nosso melhor para estar à altura.

Feliz ano novo.